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O mês de fevereiro teve o maior valor de exportação desde 2017, chegando a US$ 4,05 bilhões, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a exportação de carne total do mês foi 47% maior no volume quando comparada a fevereiro de 2021. A recuperação do comércio após os embargos sofridos ao final de 2021 se mostra crescente, mantendo a comercialização externa muito aquecida.

Os conflitos recentes entre Ucrânia e Rússia não trouxeram grandes consequências ao comércio do Brasil, pelo menos, por enquanto. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apesar de a Rússia ser um dos grandes destinos da carne bovina brasileira, ao longo dos anos, perdeu seu destaque entre os importadores da proteína. Passou do primeiro lugar que ocupava em 2014 para a oitava posição em 2021.

O que traz preocupação acerca das tensões ocorridas entre Ucrânia e Rússia está relacionado à disponibilidade de fertilizantes, uma vez que o Brasil possui grande dependência do insumo russo. Entre outros fatores, um dos grandes responsáveis pelo aumento nos preços de grãos, está ligado ao incremento nos valores dos fertilizantes e corretivos. Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custeio para a safra 2022/23 no Estado do Mato Grosso, demonstrou incremento de 35,53% se comparado à safra 2021/22, reflexo do aumento percentual de 52,62% nos preços de corretivos e fertilizantes.

Outro ponto de atenção para a comercialização foi o novo comunicado da Administração Geral de Alfândegas chinesa, que suspendeu as importações de carne bovina de uma unidade da JBS em Mozarlândia (GO), sem explicação, divulgada para a tomada de decisão.

O quadro Preços do Boi Gordo no Mundo mostra os valores da arroba do boi gordo, em dólares americanos, em quatro dos principais países exportadores mundiais, no período compreendido entre os dias 16 de fevereiro e 15 de março de 2022.

Os preços da arroba do boi gordo apresentaram aumento em todos os países avaliados, com exceção da Austrália, que demonstrou retração de 1,61% no valor praticado. A maior valorização ocorreu na carne brasileira, passando de US$ 61,90 para US$ 65,77 (6,25%), seguida pela da Argentina (4,25%) e pela norte-americana (2,08%). Interessante dizermos que os Estados Unidos voltaram ao patamar de grande importador da carne bovina brasileira. Segundo dados da Abrafrigo houve um crescimento de mais de 500% na exportação da proteína para o país norte americano, que se tornou o terceiro maior comprador no ano de 2022.

No próximo gráfico, Evolução do preço da arroba do boi gordo por unidade da federação, podemos observar a variação de preços da arroba em nove das principais praças pecuárias do Brasil, pesquisadas entre os dias 16 de fevereiro e 15 de março de 2022.

Novamente, fechamos o período em estabilidade de preços. Em todas as praças avaliadas, não houve grandes variações quando comparado ao período avaliado anteriormente. Os preços se mantiveram confortáveis, sendo que a maior média ocorreu em São Paulo, chegando a R$ 334,29, 0,75% maior que a média anterior. Também houve aumento nos preços médios de Santa Catarina (0,55%), Rondônia (0,53%) e Paraná (0,21%).

As outras praças avaliadas sofreram leve queda no preço médio do período. Em Minas Gerais a média fechou em R$ 311,73, variação percentual 2,44% menor que o período anterior. A queda foi seguida por Mato Grosso, com variação percentual de 2,41%; Goiás (2,05%); Pará (1,28%) e Mato Grosso do Sul (1,08%).

O gráfico Média do preço da desmama mostra o preço médio pago pelo macho Nelore desmamado de 180 kg, praticado no período compreendido entre os dias 16 de fevereiro e 15 de março de 2022.

Diferente dos preços mais estáveis na arroba do boi gordo, os preços dos animais de desmama sofreram queda ao longo do período avaliado, exceto nos Estados de Mato Grosso, que se manteve inalterado, e Pará, com aumento percentual de 0,07% na média.

A queda no preço das outras praças avaliadas foi de 6,15% em Minas Gerais, 4,66% em Mato Grosso do Sul, 3,26% em Santa Catarina, 3,17% em Rondônia, 1,11% no Paraná e 0,85% em Goiás.

A queda pode ser explicada justamente pelas incertezas sobre o mercado de insumos. Com preços altos e possível queda na oferta de fertilizantes, por exemplo, o invernista hoje busca cautela ao adquirir novos animais para terminação.

O último gráfico, Relação de Troca média, apresenta as relações de troca do bezerro macho desmamado e do boi magro com o boi gordo, entre os dias 16 de fevereiro e 15 de março de 2022.

A relação de troca desmama:boi gordo demonstrou melhoria no poder de compra do invernista na maioria dos estados avaliados quando comparado ao período anterior. O maior aumento percentual foi no estado de São Paulo, com valorização de 4,31% do boi gordo frente à desmama, seguido de Minas Gerais (3,93%), Santa Catarina (3,78%), Mato Grosso do Sul (3,73%), Rondônia (3,70%) e Paraná (1,21%). Houve queda de 2,45% no Mato Grosso, de 1,26% no Pará e de 1,01% em Goiás.

A relação de troca boi magro:boi gordo demonstrou variações percentuais um pouco diferentes, sendo valorizada nos estados do Mato Grosso do Sul (5,21%), Minas Gerais (4,08%), Rondônia (3,46%), Santa Catarina (0,41%) e Goiás (0,06%).

Os estados em que o boi gordo sofreu desvalorização frente ao boi magro foram Mato Grosso (4,89%), Paraná (2,03%), Pará (0,68%) e São Paulo (0,63%). A média geral da relação de troca de todos os estados foi 1,89:1 na desmama e 1,26:1 para o boi magro, aumento de 1,80% e 0,52% respectivamente, quando comparados ao período anterior.

Autores:
Antony Sewell – Sócio e Consultor (Boviplan)
Victória Girnos – Analista de Conteúdo (Boviplan)
Matéria publicada na Revista AG – Edição Junho – 2022